sábado, 1 de dezembro de 2012

Nossa Opinião: Cumprimos nosso papel

Editorial do CAMBÉ DE FATO: 


A cidade anoiteceu no dia 24 de outubro com a notícia da intervenção judicial na Santa Casa de Cambé. Na tarde do mesmo dia, por volta das 14 horas, pessoas escaladas pela promotora Adriana Lino estiveram no hospital e informaram os membros da Diretoria e do Conselho Administrativo de sua destituição. Quem presenciou, relatou que o momento foi tenso e houve acusações feitas pela ex-diretora da Santa Casa, Izabel da Silva, dirigida à pessoas dos dois Conselhos Provisórios nomeados judicialmente a pedido do Ministério Público. 
Em primeiro lugar temos que ressaltar a importante atuação do Ministério Público neste caso, acompanhado pelo Judiciário. A promotora Adriana Lino, convencida de que a Santa Casa precisava ser saneada, preparou ação requerendo a intervenção judicial e o juiz Ricardo Luiz Gorla acatou o pedido, a bem da prestação dos serviços de saúde pública e em defesa da sociedade.
Nesta edição publicamos matéria com a promotora Adriana Lino, onde ela revela que os indícios encontrados já justificaram a intervenção. A imprensa, neste momento, não tem acesso às informações da investigação, já que o processo corre em segredo de justiça, mas relatos informais de funcionários e ex-funcionários dão conta de que há muito mesmo a ser investigado e mais ainda a ser esclarecido. Afinal, a população de Cambé, legítima dona do hospital, merece respeito, para parafrasear o título de matéria distribuída pela Santa Casa logo após este CAMBÉ DE FATO ter publicado denúncias de que irregularidades ocorriam no hospital.
Aliás, só para registrar, o CAMBÉ DE FATO foi o único jornal a publicar denúncias de pagamento dobrado de plantões feitos no mesmo horário por um médico da Santa Casa e também o único jornal a publicar a suspensão do atendimento a gestantes, ocorrido no início de setembro.
O intuito deste jornal é, e sempre foi, defender a comunidade, principalmente aquela que mais necessita, dos eventuais desmandos de quem administra estruturas que prestam serviços públicos, como é o caso da Santa Casa de Cambé.
Por esta postura, fomos violentamente atacados por pessoas, grupos políticos e até por autoridades eleitas pelo povo e outras escolhidas por Deus.  Algumas, a nosso ver, não cumpriram seu papel de fiscalizar o funcionamento e a utilização dos recursos públicos pela direção da Santa Casa.
E neste sentido cabe uma reflexão: pode a “comunhão de interesse de poucos (eleitos e não eleitos)” falar mais alto do que as necessidades do povo?
Há honrosas excessões. Entre os eleitos, destacamos o prefeito João Pavinato, que na semana seguinte a eleição defendeu publicamente a intervenção judicial na Santa Casa de Cambé. Destacamos também que diversos vereadores  defenderam a apuração das denúncias veiculadas pelo CAMBÉ DE FATO e pediram a instalação de CPI para investigar a utilização de dinheiro público na Santa Casa de Cambé. 
Por sua vez, a mesa diretora da Câmara de Vereadores silenciou, numa clara demonstração de que tem ‘ética seletiva’, pois arquivou o pedido de CPI para investigar a Santa Casa. Os membros da mesa diretora estão a explicar, já há bastante tempo, que a CPI não prosperou por ‘falta de interesse’ dos demais vereadores. Explicações de quem deveria ter agido em defesa da sociedade e não o fez. E isto passará para a história e pesará no currículo de alguns.
A reflexão também deve ser estendida para a imprensa da cidade, que tem pelo menos seis jornais impressos periódicos. Dos seis, quatro ao menos se posicionaram em defesa da diretoria anterior da Santa Casa, publicando, inclusive, texto tentando desclassificar as denúncias do CAMBÉ DE FATO.  O que estes jornais dizem agora? Nada. Alguns, publicaram candidamente a notícia da intervenção, como se fora fruto do nada, do acaso. Outros, silenciam simplesmente. A quem serviram estes jornais? Ao povo de Cambé ou ao ‘compadrio de poucos’ que tinha interesses diretos e indiretos em manter a direção anterior da Santa Casa?
Mas, mais que acusar alguns por sua prejudicial inércia ou outros por ficar ao lado de gente que já havia provado sua falta de compromisso com a população, queremos dizer ao público que nos sentimos em paz, acreditando honestamente que cumprimos nosso papel. Sem orgulho, prepotência ou arrogância. Apenas cumprimos o nosso papel de imprensa livre, comprometida com a verdade e com o interesse da população. Esta nossa postura, aliás, nos custou pelo menos quatro processos judiciais, movidos por uma determinada coligação eleitoral durante a eleição, mas valeu a pena.
Por outro lado, reafirmamos nossa crença de que a intervenção deva acontecer de forma a proteger os interesses do povo e da cidade, mudando definitivamente os protagonistas na direção da Santa Casa de Cambé. Defendemos, inclusive, que os membros da antiga diretoria e dos conselhos não devam mais ter cargos na Santa Casa. Alguns por que levaram a Santa Casa a esta situação caótica, e outros, embora sejam pessoas respeitáveis, por que nunca perceberam os desmandos que ocorriam no hospital.
Depois de cessada a intervenção, a Santa Casa de Cambé precisará de uma nova diretoria séria, honesta a toda prova e com total comprometimento com a sociedade. Ousamos dizer que o melhor mesmo para a Santa Casa e para a população seria sua transformação definitiva em hospital público, gerido pelo governo do Estado, a exemplo do que acontece em hospitais de todo o Paraná.
Ao mesmo tempo, é necessário que todos os possíveis desvios de conduta e crimes que possam ter sido praticados pela diretoria anterior, por médicos e/ou funcionários da Santa Casa de Cambé devam ser profundamente investigados para esclarecer a verdade dos fatos, respeitado o amplo direito de defesa e o devido processo legal. 
A sociedade de Cambé tem o direito de saber, com brevidade, o que acontecia dentro das paredes da Santa Casa e se, por algum motivo, o dinheiro público lá injetado era utilizado de forma indevida. Se o foi, os responsáveis precisam ser punidos na forma da Lei e a sociedade informada dos fatos, afinal, vivemos a Era da Transparência na vida pública. 
De nossa parte, renovamos nosso compromisso em continuar acompanhando tudo o que acontece na Santa Casa de Cambé e também em outras instituições que prestam serviço ao público, principalmente aquelas movidas por dinheiro do povo. Estamos observando atentamente e registrando, na medida do possível, os passos da interventora e seu colegiado.
Ao mesmo tempo, se formos convocados, cerraremos fileiras com as forças vivas da sociedade para ajudar no que for preciso para renovar verdadeiramente o hospital, de forma a garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e que o povo de Cambé e da região tenha bom atendimento hospitalar, como precisa e tem direito.
Respeitamos pensamentos divergentes, mas esta é a nossa opinião.
Um grande abraço a todos.
Luiz Cesar Lazari

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