quinta-feira, 31 de março de 2011

Um pouco da história de quem passa pelo Abrigo Padre Manoel Coelho

Do Cambé de Fato: 



O Abrigo Padre Manoel Coelho, em Cambé, abriga pessoas que contam histórias de suas profissões no passado, seus amores e desilusões. Pessoas que perderam seus familiares ou se distanciaram dos filhos e esposas por causa da bebida, drogas, ou até mesmo por não conseguir arrumar um emprego e acabaram por sair de casa e se “perderam” pelos caminhos da vida. Infelizmente, muita gente ainda tem uma visão de que os abrigos noturnos e casas de passagem acolhem apenas pessoas marginalizadas e drogadas. Mas não é isso que se constata no abrigo de Cambé. “Temos 20 pessoas que ficam no abrigo permanentemente, são pessoas com idade acima de 50 anos, que têm uma dificuldade muito grande para arrumar um emprego fixo” conta a coordenadora do abrigo, irmã Aparecida Jardini. 
Um desses moradores é Antonio Francelino de 58 anos. Ele veio de Loanda, mora no local há mais de um ano e tem problemas de saúde. Francelino conta que quando tinha sete anos os pais se separaram, ele foi morar com a mãe e desde então nunca mais teve notícia do pai. “Sempre morei com minha mãe, quando ela adoeceu não tive condições de cuidar e ela foi para um asilo” disse “desde então saí pelo mundo sem rumo definido. Acho que é o meu destino,” diz ele.  
No abrigo também é possível encontrar bons pedreiros, carpinteiros e pintores que estão apenas de passagem, à procura de emprego ou que foram abandonados pela família. “Temos um salão que construímos com o auxílio de voluntários que estão de passagem”, revela Irmã Jardini (veja matéria na página 15). Um deles é Dorietes Alves Borges, morador do Abrigo há quatro meses, ele trabalha como pintor e ajudou na construção do salão. Abandonado pela família aos 16 anos devido ao envolvimento com as drogas em Curitiba, Dorietes já exerceu diversas profissões em várias cidades do Paraná. “Todo o apoio que eu não tive na fase mais difícil da minha vida eu encontrei aqui”, resume o pintor. 
Segundo a coordenadora do Abrigo Padre Manoel Coelho, as pessoas que procuram a instituição são procedentes de diversas partes do país com histórias e motivos variados. “Temos ainda aqueles que tiveram problemas conjugais e que foram abandonados pela mulher e filhos”, diz ela. Há histórias em que se custa a  acreditar, pois, segundo os relatos, são pessoas que tinham uma boa estrutura familiar e que acabaram por desviar-se para o caminho da solidão. 
Por outro lado, o abrigo também tem histórias de recuperação. Um dos casos é o de Dorietes Borges que conseguiu vencer o vício das drogas, principalmente do crack.  Luiz Carlos Correia Araújo é outro que também encontrou o seu caminho e já está trabalhando com carteira assinada. “Quero agora encontrar uma casa para morar e reconstruir minha vida”, diz ele. 


Como funciona - Atualmente o abrigo atende uma média de 60 pessoas diariamente. De acordo com a coordenadora, administrar a casa é um grande desafio a cada dia. O abrigo conta com a ajuda financeira da Prefeitura de Cambé, que repassa uma quantia todos os meses, a título de subvenção social. A Paróquia Santo Antonio também ajuda com uma quantia em dinheiro que ajuda a manter o local. O abrigo também recebe donativos da comunidade como alimentos, roupas e calçados. Quem tiver interesse em fazer doações pode procurar o Abrigo Padre Manoel Coelho, que fica na Avenida Brasil, 1432, nos fundos do Lar Santo Antonio. O telefone para contato é 3254 8746.  (Reportagem e fotos de Fábio Bortoletto).
Três moradores do Abrigo Padre Manoel Coelho contam suas histórias


Antonio Francelino diz que o pai era administrador de fazenda na região do Vale do Ivaí e dava uma boa condição para a família. Porém, muitos conflitos começaram a surgir na família devido ao álcool. “Meus pais se separaram por causa das brigas geradas pelo alcoolismo”, disse.  Francelino conta também que aos 27 anos foi condenado por um crime que não cometeu, vindo a ficar preso por 13 anos. “Sofri uma injustiça muito grande. Se a pessoa que vai presa por ter cometido um crime não aceita aquela situação, imagina sofrer por tanto tempo sabendo que você é inocente”, desabafa.
Dorietes Alves Borges revela que aos três anos foi raptado pelo pai que o levou para Curitiba. Aos dez anos ele descobriu que a mulher que vivia com seu pai na verdade não era sua a mãe biológica. Depois disso começou a ficar revoltado por ter sido enganado. Ele acredita que a falta de estrutura familiar e a falta de apoio para ajudá-lo a superar o acontecimento foram os grandes responsáveis por ele ter começado a usar drogas aos 12 anos. Hoje com 42 anos ele se sente muito feliz por ter conseguido se livrar do vício graças ao trabalho realizado pela Irmã Jardini. “Aqui nós somos uma família. Todo o apoio que eu não tive na fase mais difícil da minha vida eu encontrei aqui”, conta o pintor, que pretende em breve voltar a viver com a família em Londrina. 
Luiz Carlos Correia Araújo, de 62 anos tem uma história que não foge muito da maioria das pessoas que vivem em abrigos. Ser abandonado pela família por algum motivo. Ele conta que teve que sair de casa após a esposa descobrir um relacionamento que ele mantinha com outra mulher em 1996. Nessa época ele morava em São Paulo com a mulher e os três filhos. Luiz Carlos diz ter superado as dificuldades enfrentadas com a separação. Hoje ele trabalha como motorista do Abrigo e se considera uma pessoa feliz. “Todas as pessoas cometem erros e tem que pagar por eles”, disse “o preço que eu tive que pagar foi ficar sem esposa e ainda ter que me distanciar dos meus filhos”. 

5 comentários:

  1. Precisamos dar um jeito nesse abrigo, pois nós que somos moradores da Rua Fortaleza sofremos com isso, esse tipo de lugar tem que ser criado em um lugar distante, não perto de escolas e conjuntos habitacionais, quando levamos nossos filhos para a escola São José passamos sempre por sufoco, pois os visitantes que a irmã acolhe lá são todos mal encarados, sem falar no constrangimento que é quando eles vem bater na nossa porta pedindo dinheiro para comprar cachaça, quando dizemos "não" somos xingados quase sempre.Sem falar nas constantes brigas que saem de lá de novembro pra cá já teve três mortes de pessoas que estavam alojados lá motivos de brigas por causa de bebida ou drogas sei lá. A sociedade cambeense tem mais é que tentar fechar esse albergue ou transferi-lo para um lugar mais distante da cidade ou da escola! Sou moradora da rua Fortaleza e estou realmente chocada com esses acontecimentos!

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  2. PRECISAMOS SIM DE UM AZILO EM CAMBÉ E NÃO DE UM PONTO, ONDE ESTA ALOJANDO, DROGADOS, TRAFICANTES, PASSANTES DE DROGAS E TDO O QUE É MAIS DE ERRADO ALI DENTRO, NA QUAL NOSSAS CRIANÇAS DOS BAIRROS VIZINHOS TEM MEDO DE PASSAR PELA RUA SEM A PRESENÇA DE PAI OU MÃE, ATÉ MESMO PELOS FATOS OCORRIDOS ALI NA FRENTE!!! PRECISAMOS DE PROVIDENCIAS URGENTE A IRMÃ JARDINA NÃO ESTA TENDO NOÇÃO DO QUE ESTA PRESTE A ACONTECER COM ELA ABRIGANDO ESSAS PESSOAS ALI DENTRO.
    OBRIGADA!!!!

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  3. Só podia ser ANÔNIMO MESMO! E que pouca vergonha é esse comentário! Infeliz comentário digo e afirmo! Isso é discriminação! Só pq são abandonados ou pobres vc acha que devem ficar longe? Vá viver a sua vida! Se não pode ajudar, então fique quieta!

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  4. Bom não tive a oportinidade de conhecer Londrina, mais com um dos depoimentos me deixou meio desconfortavel, do Dorietes, bom meu nome e Thailla, sou a irmã caçula dele, fico sinceramente revoltada colocar culpa nos outros mesmo sendo no nosso pai biologico que ja faleceu tem 13 anos, dizendo que tudo que ele passou foi porque não teve estrutura familiar, bom conheci nosso pai com 16 anos, vi ele duas vezes em minha vida, nunca senti falta fui criada pela minha mãe e meu padrasto que sim e meu pai que amo, voce teve mais convivio que eu com ele, teve oportunidade de ter um lar o fato da mãe de nossos irmaos não deixa de ser sua mãe. Passei por muitas situações com meu atual pai, broncas castigos apanhei como uma criança normal, porem amo meu pai. nao é porque nao e criada pelos pais biologicos que e motivo de se revoltar.

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  5. e engraçado,as pessoas,dizer que so tem drogados no abrigo,que pessoa e essa meu deus,ali existem almas vidas que necessitam de apoio,,claro que qualquer tipo de crime deve ser reprimido,mas poxa não gosta do lugar das pessoas,beleza então não atrapalha,eu sei as vezes encomoda a situação das pessoas que estão nas ruas,mas pelo menos ore por ela,para que tenham uma vida digna,conheço a irmã jardini eo trabalho realizado e digo com toda certeza que esse trabalho vem de deus

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