terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Opinião: todos os partidos deveriam lançar candidatos em todas as eleições

O lançamento da pré-candidatura a presidente da República do governador Roberto Requião e a negativa reação da maior parte do filiados de seu próprio partido lembrou o país uma faceta indesejada do atual processo eleitoral: a supremacia dos conchavos de gabinetes sobre a militância partidária e vivência política de muitos líderes.
Partidos com grande estrutura como o PMDB e os Democratas ou até partidos médios como o PTB preferem se aliar a candidaturas mais fortes (normalmente do PSDB ou do PT) do que testar seus próprios nomes nas urnas.
Evidente que alianças ocasionais são normais, mas o que está acontecendo no país é que partidos grandes abdicam permanentemente de lançar candidatos próprios em eleições majoritárias, principalmente à presidência da República.
A primeira e última vez que Democratas e PMDB lançaram candidatos à presidente foi na primeira eleição presidencial após a redemocratização do país em 1989. O PMDB foi de Ulysses Guimarães e os Democratas (ainda como nome de PFL) lançaram Aureliano Chaves. Não é preciso lembrar que ambos foram ‘abandonados’ pela militância de seus partidos em favor de outros candidatos, principalmente de Collor de Mello. Nos últimos 20 anos DEM e PMDB ficaram sempre na sombra e sacrificaram suas próprias lideranças em favor de outros candidatos.
A realidade não é muito diferente nos estados, onde muitos partidos grandes vivem à sombra de composições confortáveis, principalmente para seus líderes maiores.
Em nossa opinião, essa realidade de privilegiar alianças e conchavos ao invés de lançar nomes próprios é nociva para a democracia.
Por isso, acreditamos que a reforma eleitoral que está por vir deveria determinar que todos os partidos sejam obrigados a lançar candidatos em todos os níveis em todos os pleitos. Desde a eleição municipal até à presidência. Alianças seriam admitidas somente no caso de segundo turno.
Essa obrigatoriedade vai fortalecer os partidos e criar mobilidade nos quadros partidários, afinal, todos terão que ter nomes para oferecer à sociedade, que por sua vez, terá uma possibilidade de escolha mais ampla.

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