sábado, 28 de novembro de 2009

Acordão Branco Beto com Requião está a caminho?

Reproduzo texto do colunista da Gazeta do Povo, Celso Nascimento:
O PSDB empenhado em eleger Beto Richa governador e o PMDB empenhado em eleger Requião senador e em não perder deputados planejam unir-se – nem que seja mediante um “acordo branco” em que ambos os lados ganham. Funcionaria assim: para ter o apoio peemedebista, os tucanos não lançariam candidato próprio ao Senado, deixando Requião correr solto, praticamente sem adversário, para conquistar uma das duas vagas em disputa. Para compensar, o PMDB seria liberado, ainda que não oficialmente, para apoiar Richa.
São grandes as evidências de que esse vale-tudo está em articulação. Uma forte ala de deputados do PMDB já não esconde o interesse (aliás, em causa própria) em abraçar os tucanos, da mesma forma que esses trabalham com sofreguidão para, no mínimo, não ter Requião e seu partido trabalhando contra. Ainda ontem, o prefeito Beto Richa, em entrevista à BandaB, derramou-se em cálidas lembranças sobre a amizade que, desde criança, o une ao PMDB – o que tornaria muito natural seu eventual casamento com o partido do governador.

Já não se faz questão de lembrar, por exemplo, o que dizia a respeito de Requião uma carta aberta assinada por Richa (e família) em fevereiro de 2007: “Quem antes era bom, hoje já não presta? Definitivamente, é bom desconfiar dos elogios e das críticas do governador Requião. Nenhuma delas pode ser sincera. Dependerá sempre da conveniência política que atender ao governador”.
Consagrada a hipótese do acordão – bem típica da velha política, contrária ao discurso da renovação e da juventude – há uma vítima a ser imolada no fogo das conveniências mútuas. Trata-se do deputado Gustavo Fruet, tucano de 211 mil votos na última eleição para a Câmara Federal. Dele seria tirada a oportunidade de concorrer ao Senado, deixando livre e plano o terreno para Requião.
O comportamento ensaiado agora pelos tucanos que defendem o acordão não é novo para Gustavo Fruet. Em 2004, quando ainda militava no PMDB, ele foi vítima de jogada idêntica. Postulante ao cargo de presidente do diretório municipal do partido e virtual candidato à prefeitura de Curitiba, foram-lhe tiradas as duas chances em razão de outro acordão patrocinado por Requião.
Na época, o acerto era com o PT, pelo qual o candidato a prefeito apoiado pelo PMDB deveria ser o petista Ângelo Vanhoni. Era, pois, necessário afastar Fruet da disputa – primeiro, entregando o diretório do partido ao fidelíssimo Doático Santos; depois, tirá-lo também da possibilidade de ser escolhido candidato a prefeito na convenção peemedebista. E foi o que aconteceu. A coordenação de todo esse trabalho foi entregue ao irmão Maurício Requião, que contou com a ajuda até da Petrobras para consagrar o nome de Vanhoni.
Traído e rifado pelo próprio partido, Gustavo Fruet saiu do PMDB, filiou-se ao PSDB e ajudou Beto Richa a derrotar (por pouco) o oponente da coligação PMDB-PT. Quatro anos depois, na eleição de 2008, voltou a empenhar seu prestígio para reeleger Beto Richa. Prestígio medido em votos: dos 211 mil votos que conquistou em todo o estado, que o fez o mais votado dos deputados federais do Paraná, 160 mil eram de eleitores curitibanos. (
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=948901&tit=O-acordao-Richa-Requiao)

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