quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Desabafo

Meus pais me ensinaram que a verdade e a palavra empenhada devem prevalecer sempre. Em outras palavras, me ensinaram o que é ser coerente e a ter credibilidade.
Evidente que não sou perfeito e nem sempre consigo seguir os ensinamentos dos pais ao pé da letra. Por outro lado, mudar de idéia também é parte da evolução e do crescimento pessoal.
Mas, filosofia barata à parte, é constragedor ver a reviravolta que ícones da política nacional dão a cada crise, denúncia ou barraco que surge em Brasília.
Pior que os motivos, é ver um Collor de Mello novamente collérico com aquele velho e conhecido olhar de ódio, o mesmo que ele usava para caçar marajás, desta vez defendendo José Sarney.
O mesmo Sarney em quem ele batia sem dó ou piedade na campanha presidencial de 1989, e a quem ele sucedeu na presidência da República.
Dia desses me pego com um jornal na mão e na capa uma foto do Collor abraçado com o Lulla. E o Lula fazendo elogios ao Collor de Mello. O mesmo a quem ele marretou incansavelmente na mesma campanha e com quem disputou o segundo turno, perdendo e montando um governo paralelo. O mesmo Collor que ele ajudou a cassar com a organização de passeatas e outras manifestações, onde o PT e a CUT tiveram papel importante.
E o que dizer de Lulla abraçando Zé Sarney e saindo em sua defesa, como se ele fosse um companheiro de longa data?
Sei que o mundo dá voltas e as relações humanas evoluem. Mas, me perdoem, ainda sou do tempo em que amizade, respeito, lealdade e companheirismo eram valores para nortear uma vida toda.
Abraçar o inimigo de ontem, só para tentar derrotar o novo inimigo de hoje, custe o que custar, é maquiavélico demais até para mim.

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