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sábado, 5 de janeiro de 2013

Diretoria anterior deixa dívida de R$ 11,7 milhões na Santa Casa; Prédio do hospital está hipotecado

Do CAMBÉ DE FATO:

Diretoria anterior deixa dívida de R$ 11,7 milhões na Santa Casa; Prédio do hospital está hipotecado 

A dívida deixada pela diretoria anterior da Santa Casa de Cambé ultrapassa a casa dos R$ 11,7 milhões. São exatos R$ 11.726.742 (onze milhões, setecentos e vinte e seis mil e setecentos e quarenta e dois reais) apurados até agora pela equipe de intervenção que administra o hospital desde o dia 24 de outubro.

A dívida é composta por R$ 3,4 milhões devidos a fornecedores (R$1,2 milhão vencido e em atraso e R$ 2,2 milhões a vencer); R$ 1,6 milhão em impostos não recolhidos, sendo que destes, R$ 1,2 milhão são de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), descontado dos funcionários da Santa Casa e não recolhido aos cofres da Receita Federal e outros R$ 111 mil em FGTS de funcionários não recolhidos; e R$ 6,5 milhões em empréstimos bancários, sendo que deste total, R$ 3,7 milhões da dívida são oriundos de uma operação de crédito junto ao BRDE - Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul - que originalmente, em 2009, tinha um valor de R$ 2 milhões. Para a Caixa Econômica Federal, a Santa Casa de Cambé deve R$ 1 milhão e outros R$ 1,1 milhão para o BicBanco. Para o Banco do Brasil o hospital deve R$ 277 mil e para a Cooperativa de Crédito Uniprime, outros R$ R$ 340 mil.

As informações são oficiais e foram repassadas pela interventora Mercês Matos Peixoto em reunião da qual participou a promotora Adriana Lino. No total de R$ 11,7 milhões ainda não está calculado o passivo trabalhista do hospital.

Desconto na boca do caixa - A face mais perversa da situação, no entanto, é que parte dos recebimentos futuros do hospital estão vinculados ao pagamento de empréstimos bancários. Somente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica ficam com R$ 25 mil por mês, descontados diretamente do dinheiro que a Santa Casa tem para receber do SUS. “Em todos os lugares onde há convênio, tem empréstimo”, relata a interventora Mercês Mattos Peixoto, informando que este dinheiro faz muita falta para manter o custeio mensal do hospital.

Prédio da Santa Casa está hipotecado
Além da péssima notícia do tamanho da dívida deixada pela diretoria anterior da Santa Casa, outra é ainda mais grave: o prédio do hospital está hipotecado como garantia do empréstimo feito junto ao BRDE. “Por conta de uma dívida junto ao BRDE, originalmente de R$ 2 milhões, o prédio da Santa Casa está hipotecado. A dívida já está em R$ 3,7 milhões e prédio corre o risco de ser perdido”, informou a promotora Adriana Lino.

Segundo a interventora Maria das Mercês, o empréstimo junto ao BRDE foi realizado em 2009, sendo que do total de R$ 2 milhões, metade seria destinado para a compra de equipamentos e o restante para a construção de uma nova ala no hospital. O novo prédio é um barracão inacabado, onde pode ser visto que foi levantado com estrutura pré-moldada, telhas de fibrocimento e fechamento lateral de blocos de cimento, onde não foi, segundo técnicos, investido nem 30% do total que seria destinado à construção. Quantos aos equipamentos, Mercês Peixoto informou que a equipe está levantando o que pode ter sido comprado e onde estariam os equipamentos, mas já adiantou que nem todo o dinheiro (R$ 1 milhão) foi gasto com a compra de equipamentos.

Sem autorização - O estatuto da Santa Casa prevê que, em casos de alienação do imóvel do hospital, uma assembléia geral da instituição deve ser realizada e autorizar a alienação. “Já verificamos que não há ata que autorize”, diz Adriana Lino.
Para esclarecer a questão a promotora informa que já tomou novas providências jurídicas. “A situação é gravíssima e resulta de má gestão. Por isso instaurei outro procedimento após a intervenção para verificar o que aconteceu neste empréstimo e requisitei informações junto ao BRDE . Também já solicitei uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado e ainda requeri e foi deferido o bloqueio dos bens dos antigos diretores”, detalhou a promotora Adriana Lino informando que o objeto da ação é a restituição do dinheiro para a instituição.

“A sociedade precisa se unir para salvar o hospital”, diz a promotora Adriana Lino

“A sociedade cambeense precisa se unir para salvar a Santa Casa”. Com estas palavras a promotora Adriana Lino convocou representantes da sociedade organizada para atuar em uma frente de trabalho para ajudar o hospital a enfrentar sua pior crise.

Participaram das duas primeiras reuniões representantes dos clubes de serviço (Lions e Rotary), da Maçonaria, da Prefeitura e da Câmara Municipal, de movimentos da Igreja Católica, do Conselho de Saúde, Conselho Tutelar de Cambé, Associações de Moradores, do Sindicato Rural de Cambé, das Senhoras de Rotarianos, da OAB local, além de representantes da 17a. Regional de Saúde, Secretaria de Saúde de Cambé, do Hospital São Francisco e da equipe de intervenção. A interventora Maria das Mercês Peixoto lembra que o grupo não está fechado e toda ajuda é bem vinda.

Medida de transparência - Um dos atos concretos tirados da reunião com a comissão foi a elaboração de uma ampla reunião com a comunidade, que vai acontecer no dia 24 de janeiro de 2013, a partir das 19h30 na Casa Comunitária do Lions Clube (Rua França, em frente ao Centro de Eventos). Nesta reunião a interventora e a promotora vão detalhar os aspectos da intervenção, das dívidas encontradas, dos procedimentos judiciais que estão em curso contra membros da diretoria anterior, e sobretudo, a discussão da adoção de mecanismos para que a sociedade possa ajudar a recuperar a Santa Casa e também possa acompanhar sua gestão.

Nesse sentido, a Santa Casa também vai admitir novos associados em seu quadro (atualmente são apenas 21). Os interessados devem procurar a interventora ou a promotora de Justiça.


Vicentinos doam 700 kg de alimentos  

O Conselho Central dos Vicentinos de Cambé fez a entrega de cerca de 700 kg de alimentos não perecíveis para a Santa Casa de Cambé. Os alimentos serão utilizados na preparação das refeições dos internos. “Toda doação é bem vinda” diz Maria das Mercês, informando que também existe uma lista de produtos necessários, para facilitar o trabalho de quem quer fazer uma doação. Participaram da entrega a presidente dos Vicentinos, Josiane Ribeiro dos Santos Brito, a interventora Maria das Mercês Matos Peixoto, a promotora Adriana Lino, o presidente do Conselho Tutelar, Cleber Costa, entre outras autoridades.Todo tipo de contribuição é bem vinda e a equipe de intervenção avisa que todas as doações, de qualquer tipo, serão registradas e os doadores poderão acompanhar e conferir a utilização dos bens ou dos recursos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Intervenção encontra irregularidades na gestão da Santa Casa de Cambé

Do CAMBÉ DE FATO: 
A promotora de Justiça Adriana Lino revela: 
“Não posso dar detalhes por que o processo corre em 
segredo de justiça, mas posso dizer que já foi 
apurada má-gestão que implica em 
ilícitos civis e criminais”.


Intervenção encontra irregularidades
na gestão da Santa Casa de Cambé

"O que foi levantado já justifica a intervenção e a liminar”. Com esta frase a promotora de Justiça Adriana Lino respondeu a indagação de repórteres sobre o que já havia sido encontrado na investigação que está em andamento na Santa Casa de Cambé, depois que o hospital sofreu intervenção judicial, a pedido da promotora.

Entenda o caso - “O procedimento (no MP) teve início em 16 de novembro de 2009 e foi motivado por denúncias da  população, como mal atendimento e falta de cortesia”, explica Adriana Lino, revelando que já há quase três anos a administração do hospital era investigada e chamada a dar esclarecimentos. “Encontramos dificuldade para fiscalizar a administração anterior. Era uma caixa-preta”, pontua a promotora. “Fiz uma recomendação para que se abrisse o quadro associativo. Abriram, mas muito pouco”, diz  Adriana, se referindo a entidade que administra o hospital e que tem pouco mais de 20 sócios. “Queremos mais pessoas no quadro associativo da Santa Casa”, avisa Adriana Lino, lembrando que os diretores afastados não devem fazer parte da diretoria que será eleita após o término da intervenção. “Não vejo possibilidade da volta destas pessoas por que já foram levantadas irregularidades”.

Como fica o hospital - Segundo a promotora Adriana Lino a intervenção não tem data para acabar e neste período,  a Santa Casa de Cambé será saneada. “A intervenção não tem prazo para finalizar. Queremos apurar as denúncias com mais profundidade”, declarou ela. “A Santa Casa tem condições de prestar serviços melhores. Quando todas as irregularidades estiverem saneadas e o hospital prestando serviços de forma satisfatória, então cessa-se a intervenção”, afirmou a promotora de Justiça.
Neste período a administração da Santa Casa de Cambé está sendo realizada por uma interventora nomeada pelo juiz Ricardo Gorla, a pedido do Ministério Público. “A interventora já trabalhou no Cismepar e conjuntamente  com as Comissões Deliberativa e Consultiva está cuidando da Santa Casa”, revelou Adriana Lino.
A interventora nomeada é a psicóloga Maria das Mercês de Matos Peixoto da Silva. Já a Comissão Deliberativa é composta pela médica Djamedes Garrido (chefe da 17a. Regional de Saúde), representando o Governo do Estado; Alessandra Garcia Gonzales Vaz (secretária municipal de Saúde), representando o Município e  o contabilista Carlos Alberto Correa Rocha, representando a sociedade. Na Comissão Consultiva, foram nomeados a farmacêutica Maria Celia Rodrigues Greghi, o advogado Aristides Rodrigues Rodrigues e o pastor Nilson Maciel, este último, presidente do Conselho Municipal de Saúde. Todos os membros das duas comissões vão prestar trabalho voluntário para a Justiça.

Papel do Município e do Estado - Para a promotora de Cambé, os convênios de repasse de recursos, do governo do Estado e da Prefeitura de Cambé estão dentro da normalidade. “Todos os convênios, a nível estadual e municipal, são feitos de forma regular”, disse a promotora, falando sobre o papel de cada ente federativo. “O Município não tem obrigação de encampar a Santa Casa. O que a Prefeitura faz é repassar um auxílio mensal. Já o Estado repassa recursos em função de todo o atendimento do SUS”, diz Lino, completando: “fica difícil Santa Casa  sobreviver somente com recursos públicos e os poucos recursos privados. Faltam recursos que poderiam ajudar, como as doações”.  

Investigação prossegue - Ao mesmo tempo que administram o hospital, as comissões e a interventora têm também a missão de investigar e levantar todas as denúncias já feitas contra a administração anterior da Santa Casa. “Não posso dar detalhes por que o processo corre em segredo de justiça, mas posso dizer que já foi apurada má-gestão que implica em ilícitos civis e criminais”, disse a promotora. Adriana Lino revela que a investigação está sendo feita com profundidade. “Tudo será apurado. Principalmente onde foram aplicados os recursos públicos na Santa Casa”, finaliza a promotora de Cambé.

Quatro funcionários graduados do setor
administrativo já teriam sido  demitidos

Segundo funcionários que pediram anonimato, a nova administração da Santa Casa já teria demitido pelo menos quatro funcionários graduados do setor administrativo. Segundo a mesma fonte, dois deles têm ligações estreitas com a ex-diretora Izabel da Silva. Também circulam boatos de que as demissões da área administrativa podem continuar nas próximas semanas.
O CAMBÉ DE FATO procurou a administração do hospital para se confirmar ou não as demissões e a sua motivação. A direção do hospital, através de sua assessoria de imprensa informou que não poderia comentar o assunto alegando “segredo de justiça”  mas também não desmentiu as demissões.

Falha na escala e atendimento sobrecarregado são problemas a serem resolvidos, diz diretor técnico da Santa Casa

De acordo com o médico Rogério Sakuma, diretor técnico da Santa Casa de Cambé, o hospital está passando por um momento de transição, onde a nova administração organiza os serviços prestados pelo hospital. O médico aponta que as Unidades Básicas de Saúde são fundamentais na Saúde Pública, porém a população tem procurado a Santa Casa para atendimentos primários. “O atendimento está sobrecarregado em função de um fluxo inadequado de atendimento. Talvez por falta de orientação para a população. A finalidade de atendimento de um hospital é atendimento secundário, como acidentes de trânsito, esfaqueados, enfartados, acidente vascular cerebral, baleados, entre outros. São situações mais complexas, deixando para as Unidades Básicas de Saúde, casos de menor gravidade, atendimentos e realização de exames eletivos. A grande maioria dos atendimentos que realizamos são consultas eletivas, ou seja, que poderiam ser realizados nos postos de saúde”, afirma Sakuma.
“Os casos que não são graves dão sintoma prévio, como uma dor no peito por esforço físico ou dor lombar crônica, primeiramente devem ser atendidos nos postos de saúde. Havendo a necessidade, o posto encaminha para a especialidade competente e deixa para o atendimento hospitalar os casos realmente graves. Grande parte dos casos são regulados, ou seja, encaminhados pela ambulância, via SAMU ou SIATE”, alega Sakuma.
O diretor ainda ressalta que os atendimentos estão sendo realizados, “porém há casos em que são regulados, como mulheres que vem até o hospital para fazer o teste de gravidez. Se hoje tenho uma sobrecarga de atendimento desnecessário, com a regulação e melhoria de fluxo poderemos oferecer um melhor atendimento à população. Essa mudança será a médio prazo, até porque temos várias correções que devem ser feitas, como falha de escala, por exemplo. É um ponto de partida”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Justiça decreta intervenção na Santa Casa de Cambé


A Justiça de Cambé decretou na quarta-feira (24) intervenção judicial na Santa Casa de Cambé. 
A ação civil pública que motivou a intervenção foi proposta pela promotora Adriana Lino, e foi cumprida no início da tarde de quarta-feira. 
De imediato, foram afastados de suas funções a diretora administrativa da Santa Casa, Isabel Aparecida da Silva, o superintendente Antonio Alencar, funcionários ligados à direção do hospital, além de todos os membros que fazem parte do Conselho Diretor e do Conselho Fiscal que administram a Santa Casa, inclusive o padre Amaury José Domingues, pároco da Paróquia Santo Antonio. 
A partir de quinta (25) a interventora Maria das Merces de Matos Peixoto da Silva toma posse na função de administradora do hospital, juntamente com membros de um Conselho Deliberativo e um Conselho Consultivo, ambos nomeados pela Justiça. A nova interventora é psicóloga e servidora do Governo do Estado, e prestava serviços no Hospital da Zona Sul de Londrina. 

O jornal CAMBÉ DE FATO (reproduzido pelo Blog do Luiz Cesar) foi o único veículo de comunicação impresso a denunciar o esquema de pagamento dobrado de plantões realizados por um médico da Santa Casa que chegou a realizar 36 horas de plantão em um único dia.
Por outro lado, um pedido de criação de uma CPI para investigar a aplicação de recursos públicos na Santa Casa foi arquivada pela mesa diretora da Câmara de Cambé. A explicação é que "não houve vereadores interessados em participar da CPI".  

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Médico que recebeu 36 horas de plantão em um único dia não contesta denúncia do CAMBÉ DE FATO

Do CAMBÉ DE FATO:

Nem o médico  Armando Jairo da Silva Martins (Dr. Martins) e nem a Santa Casa de Misericórdia de Cambé contestaram  judicialmente  denúncia feita pelo CAMBÉ DE FATO em sua última edição, na qual o jornal relata que o médico recebeu R$ 1.525,00 por 36 horas de plantão em um único dia. Armando Martins trabalhou 24 horas e recebeu por 36 horas no dia 12 de setebro de 2011. Ao todo ele recebeu R$ 1.050,00 para fazer 24 horas de plantão de Clínica Médica e, no mesmo dia, outros R$ 525,00 para fazer 12 horas de plantão de Ginecologia e Obstetrícia no Pronto Socorro da Santa Casa de Cambé. Em nota, o hospital reconheceu que os plantões duplos acontecem.


O médico Armando Jairo da Silva Martins e a Santa Casa de Misericórdia de Cambé não contestaram judicialmente os fatos relatados por este CAMBÉ DE FATO em sua última edição (n0.84, de 21 de setembro de 2012), na matéria “Em um único dia médico recebeu 36 horas de plantão”. 
A Santa Casa publicou nota em outros jornais da cidade reconhecendo  que os plantões duplos acontecem. “Quanto ao fato de um mesmo médico atender mais de uma especialidade no plantão, às vezes acontece”, diz a nota tentando mostrar que são situações não planejadas. 
Na verdade, o que estamos denunciando são situações múltiplas (ou corriqueiras) de acúmulo de plantão, feitas, inclusive, com agendamento prévio na escala de plantão do hospital. O assunto já foi enviado para as providências do Ministério Público.

Entenda o caso 
Armando Jairo da Silva Martins é plantonista da Santa Casa de Cambé em duas especialidades (Clínica Geral e Obstetrícia) e tem um histórico de realização dos dois tipos de plantões no mesmo horário, recebendo duplamente pelo mesmo horário trabalhado, como denunciou o CAMBÉ DE FATO em sua edição 82, de 18 de agosto de 2012.
Um exemplo claro da situação pode ser notado no que aconteceu no dia 12 de setembro de 2011, quando o médico realizou 24 horas de plantão na modalidade Clínica Médica e outras 12 horas na modalidade Obstetrícia ao mesmo tempo. Foram 36 horas de plantão no mesmo  período de 24 horas.Segundo a escala de plantões da Santa Casa de Cambé do mês de setembro de 2011, no dia 12 o médico Armando Jairo da Silva Martins iniciou plantão de Clínica Médica às 7h00 da manhã e foi no plantão até as 13h00 do dia seguinte (13/9). No mesmo horário, a escala de plantão de Obstetrícia indica que ele também iniciou plantão que duraria até as 19h00 do mesmo dia (12 horas corridas). Em outras palavras, Dr. Martins realizou 24 horas de plantão de Clínica Médica (das 7h00 do dia 12 até as 7h00 do dia 13) e ainda mais 12 horas de plantão de Obstetrícia (das 7h00 do dia 12 até às 19h00 do mesmo dia). Isso significa dizer que em um perído de 24 horas (das 7h00 do dia 12 às 7h00 do dia 13), o médico Martins fez 36 horas de plantão, em duas  modalidades, recebendo duplamente.
Segundo a planilha de Plantões a Pagar, documento oficial da Santa Casa, Martins recebeu R$ 1.525,00 (hum mil, quinhentos e vinte e cinco reais) por 36 horas de plantão, sendo que trabalhou apenas 24. Do total, R$ 1.050,00 (hum mil e cinquenta reais) por 24 horas de plantão de Clínica Médica e outros R$ 525,00 (quinhentos e vinte e cinco reais) por 12 horas de plantão de Obstetrícia.
O dinheiro utilizado para este e outros pagamentos de plantões médicos é  repassado pela Prefeitura de Cambé como subvenção, ou seja, é dinheiro público.
Diretora reconhece a prática - A diretora da Santa Casa, Isabel da Silva, que inicialmente havia negado para o CAMBÉ DE FATO a prática de pagamentos duplos, reconheceu, posteriormente, durante um depoimento judicial que a prática realmente aconteceu. Na mesma ocasião, Isabel Aparecida da Silva também reconheceu como verdadeiros os documentos juntados pela Editora Paraná de Fato (que edita o jornal CAMBÉ DE FATO) ao processo judicial, nos quais se baseiam nossas reportagens.

domingo, 23 de setembro de 2012

Santa Casa atrasa salários e funcionários protestam

Do CAMBÉ DE FATO: 

Santa Casa atrasa salários e funcionários protestam



Funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Cambé fizeram uma manifestação em frente ao Pronto Socorro do Hospital na quinta (13) (foto). O motivo da paralização parcial do atendimento em várias áreas do hospital foi o atraso do pagamento de salários do mês de agosto, que deveria ser pago até o quinto dia útil deste mês.
Segundo relatos dos funcionários, o salário e o vale alimentação no valor de R$ 140,00 mensais, atrasam periodicamente todos os meses, fazendo com que muitos deles deixem de pagar suas contas em dia, como aluguel, luz, telefone, escola para os filhos e as necessidades básicas, como a compra do mês para alimentar a família.
“Há muito tempo o hospital vem atrasando o pagamento e, com isso, vem fazendo que todo mundo atrase suas contas. Muitos trabalhadores daqui estão passando necessidade. Temos o vale alimentação que chega no dia quinze, mas sempre pagam no dia vinte. Teve um mês que recebemos no dia 2 do outro mês. Falamos com o presidente do hospital e a posição que foi passada para a gente é de que, se quisermos ir embora, podemos ir, mas não tem previsão de pagamento. Queremos o nosso direito. Da mesma forma que eles querem que a gente cumpra nossas obrigações, queremos que eles cumpram com a deles. Estou tomando remédio por estar estressada por causa de trabalho”, descreve uma das funcionárias do hospital, que não quis ser identificada, temendo represálias.
Salário atrasado é uma dificuldade que os funcionários parecem conhecer de longa data. Um ex-funcionário do hospital também em depoimento ao CAMBÉ DE FATO apontou diversas irregularidades na relação de trabalho do hospital e o salário atrasado é apenas uma delas. “O salário atrasava somente para os meros mortais, descontam até o minuto em que você chega atrasado”, acusa o ex-funcionário.
A Santa Casa de Cambé tem atualmente cerca de duzentos funcionários, e as reivindicações de boa parte deles, ouvidos na reportagem, são as mesmas: receber o salário e os benefícios em dia, o que é de direito de todos os cidadãos. “Estamos com o pagamento atrasado, não temos vale alimentação e nosso Fundo de Garantia não está sendo depositado”, lembra uma das funcionárias que também não quis ser identificada por medo de retaliação por parte da direção do hospital.
Salários pagos no dia 17 - Segundo relato de funcionários da Santa Casa, no dia 14 o hospital entregou os vales alimentação e o salário de agosto foi pago somente na segunda (17).
Diretora culpa o Governo- Por sua vez, Isabel Aparecida da Silva, diretora administrativa do hospital, afirmou perante aos manifestantes que o FGTS seria depositado “no momento certo”.
De acordo com a diretora, o repasse do Governo do Estado está atrasado, dinheiro que seria usado para pagar os funcionários. “Estamos atravessando dificuldades. Infelizmente vem sendo o único hospital que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Cambé e nem isso está sendo suficiente para motivar e sensibilizar o Governo para nos pagar. A verba da Prefeitura é para pagar médico e não está dando mais para pagar. Às vezes tem que complementar porque nem médico tem. Parece que saúde não é prioridade dentre as prioridades do Governo, porque é só pagar. É lei. Agora, a lei é para nós, não para quem tem poder na mão. O hospital está solicitando um empréstimo de R$ 1,2 milhão para poder fazer todas essas coberturas. Lamentavelmente a nossa maior quantidade de receita vem pelo atendimento SUS”, afirma a diretora Isabel.
A informação é contestada pela diretora chefe da 17a. Regional de Saúde, que representa a Secretaria de Estado da Saúde na região, Djamedes Garrido. ““É uma questão de organização. Nunca se pagou tão em dia como se paga agora. O atraso é esporádico e ocorreu para todos os hospitais contratualizados do Estado”, diz Djamedes.
Quanto ao repasse da Prefeitura, a Secretária de Saúde Alessandra Garcia Vaz rebate a informação de que o dinheiro não é suficiente para o pagamento de plantonistas. “Repassamos R$ 175 mil por mês sempre em dia e nos últimos quatro anos dobramos o valor anual do repasse para a Santa Casa. Certamente este dinheiro é suficiente para pagar os médicos do Pronto Socorro”, diz  Alessandra Vaz. (Reportagem de Rafael Carreri com texto final de Luiz Cesar Lazari).

Regional de Saúde diz que Santa Casa de Cambé tem má gestão financeira

A médica Djamedes Maria Garrido (foto), diretora da 17ª Regional da Saúde, que representa a Secretaria de Estado da Saúde de Londrina e região, aponta que o atraso do pagamento dos salários dos funcionários da Santa Casa de Cambé se deve à má administração financeira da Santa Casa. “É uma questão de organização. Nunca se pagou tão em dia como se paga agora. O atraso é esporádico e ocorreu para todos os hospitais contratualizados do Estado. Pode acontecer para todos”, aponta a diretora. Segundo Djamedes Garrido, o Ministério Público de Cambé já está acompanhando o funcionamento do hospital devido à falta de atendimento de gestantes no início de agosto. Ela também informa que a Santa Casa está prestes a perder um repasse mensal do Governo do Paraná. “A Santa Casa não terá mais a verba de R$ 40 mil mensais, proveniente do Programa Mãe Paranaense, que atende gestantes com um a dois leitos. Isso porque o hospital teve quase um ano para fazer as adequações necessárias e não a fizeram”, declara Djamedes Garrido.

Secretária de Saúde diz que dinheiro do repasse da Prefeitura é suficiente para contratar e pagar médicos plantonistas

A Secretária Municipal de Saúde,  Alessandra Garcia Vaz afirmou que o dinheiro do repasse realizado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa é mais que suficiente para o pagamento de médicos plantonistas. “Repassamos R$ 175 mil por mês. Certamente este dinheiro é suficiente para pagar os plantonistas do Pronto Socorro”, diz Alessandra, lembrando que  a Administração Municipal tentou nos últimos três anos e meio dobrou o valor da subvenção repassada à Santa Casa. “Em 2008 a Prefeitura repassou R$ 1 milhão para a Santa Casa, em dez parcelas de R$ 100 mil. Em 2012, até o final do ano, vamos totalizar R$ 2 milhões de repasse, em quatro parcelas de R$ 155 mil; uma parcela de R$ 239 mil e sete parcelas de R$ 175 mil”, diz a secretária de Saúde de Cambé.

Vereador pede providências ao Ministério Público sobre a Santa Casa e cobra instalação de CPI na Câmara para investigar o uso de dinheiro público no hospital.

O vereador Paulo Tardiolle usou a tribuna da Câmara de Vereadores na última segunda feira (17) para informar que representou junto ao Ministério Público local solicitando providências quanto a possíveis irregularidades ocorridas na administração da Santa Casa de Cambé, denunciadas pelo CAMBÉ DE FATO. “Há indícios consistentes de crime contra o erário público na matéria publicada pelo jornal CAMBÉ DE FATO, edição 82, de 18 de agosto de 2012 e por isso protocolamos pedido de providências junto ao Ministério Público em 06 de setembro”, disse o vereador.
Tardiole também aproveitou para cobrar a instalação da CPI da Santa Casa, uma vez que ele é autor do requerimento pedindo a criação da CPI, que foi aprovado pelo plenário mas que a mesa diretora não instalou sob a alegação de que os partidos não indicaram membros para compor a CPI. O secretário da Casa, Cecílio Araújo reafirmou a justificativa, que foi contraditada por Tardiole: “houve interesse sim e meu partido teve manifestação positiva”. Já o presidente da Câmara, Conrado Scheller pediu para que Tardiolle fizesse nova solicitação de instalação da CPI da Santa Casa. “Encaminhe para a mesa e o senhor terá o apoio desta Casa”, comprometeu Conrado Scheller.
“Retorno mais uma vez para falar deste assunto sobre as supostas irregularidades na Santa Casa, dada a falta de atendimento do hospital. Desde o início do mandato esta casa provocou até audiencia publica para tentar conhecer os problemas da Santa Casa. Cabe agora ao Legislativo de Cambé averiguar o que está acontecendo uma vez que o jornal divulga novos fatos que merecem atenção”, completou Tardiolle.

A Santa Casa de Cambé não pertence à Prefeitura de Cambé

Sempre é bom esclarecer que a Santa Casa de Cambé não pertence ou tem qualquer vínculo administrativo com a Prefeitura ou com a Câmara de Cambé. Em outras palavras, nem o prefeito e nem qualquer membro de sua equipe e nem os vereadores da cidade tem mando ou decisão sobre o que acontece dentro da Santa Casa.
A Santa Casa é uma instituição particular, de caráter filantrópico, sem fins lucrativos, que presta serviços ao SUS e recebe por estes serviços através do SUS, ou seja, através da Secretaria de Estado da Saúde, que repassa os pagamentos a prestadores de serviços do Sistema Único de Saúde e ainda recebe uma subvenção (recursos) da Prefeitura de Cambé, entre outras receitas.
A Santa Casa de Cambé é formada por uma direção, eleita por um colegiado previamente escolhido por aqueles que fazem parte da Irmandade da Santa Casa, que tem em torno de 25 membros.  O superintendente é a maior autoridade do hospital, seguido da direção administrativa e da direção médica. O empresário Antonio de Alencar ocupa o cargo de superintendente desde 2004; Isabel da Silva está no cargo de diretora administrativa há mais de 20 anos e a direção clínica (médica) da Santa Casa foi ocupada até o dia 30 de junho pelo médico Armando Jairo da Silva Martins  que está licenciado.
Atualmente a direção clínica da Santa Casa está a cargo do pediatra Antonio da Silva Freitas.  

Valor repassado e a ser pago pela Prefeitura de Cambé para
a Santa Casa no ano de 2012 (até 30 de dezembro):
R$ 2,084 milhões em 04 pagamentos de R$ 155 mil, 
01 de R$ 239 mil e 07 de R$ 175 mil, pagos sempre em dia.

Sindicato faz Assembleia Geral com trabalhadores e constata vários problemas na Santa Casa

Na noite do dia 13, o SinSaúde (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina e Região) realizou uma Assembleia Geral Extraordinária nas dependências do hospital para deliberar sobre as denúncias de irregularidades trabalhistas enfrentados pelos empregados da Santa Casa.
Segundo os relatos dos funcionários, os problemas constatados e reivindicações registradas em ata são: Constantes atrasos nos pagamentos de salários em todos os meses; O recebimento da cesta básica também está em descumprimento chegando a quase dois meses de atraso; O trabalhador não recebeu nenhum vale (adiantamento salarial) a que teria direito pela negociação da Convenção Coletiva; O benefício de auxílio creche (20% do salário nacional) nunca foi cumprido; As férias não estão sendo pagas conforme a legislação; O “Banco de Horas” está sendo mascarado e prejudicando o trabalhador que requer o seu fim; O empregador exige que o empregado entre 10 minutos adiantado e saia 10 minutos após a jornada, sob pena de advertência e posterior demissão, não recebendo por essas horas; Cobra o empregador que o trabalhador use uniformes, mesmo sem pagar por isso sob pena de advertência e posterior demissão; As obrigações de INSS e FGTS há muito tempo não estão sendo cumpridas; Alguns funcionários relataram que seus empréstimos consignados estão sendo descontados em folha de pagamento e não estão sendo repassados a respectiva instituição financeira, o que causou inscrição destes trabalhadores nos serviços de proteção ao crédito. Todos “referiram de forma unânime que não confiam na administração hospitalar atual e não acreditam que está encontre competência para sanar os problemas da instituição que a cada dia só faz piorar a situação dos trabalhadores, que requerem sua renúncia ou intervenção judicial”. Além das deliberações, os empregados da Santa Casa formaram uma comissão de seis membros, para representar todos os funcionários e trabalhar em conjunto com o Sindicato para tentar resolver, de forma definitiva, todas as pendências. 
De acordo com Julio Cesar Muniz, Presidente do Sindicato, a Convenção Coletiva assinada e a CLT não estão sendo respeitada pela Santa Casa. “A posição do Sindicato sobre os problemas enfrentados é muito séria. Estamos avaliando a Assembleia Geral e os pontos críticos relatados pelos funcionários. Levaremos os problemas para a Promotoria do Trabalho. A situação em que se encontra não tem condições. Iremos fazer a nossa parte”, afirma o presidente. A  ata da reunião está disponível no site: http://sinsaude.webnode.com.br/news/resultado-da-assembleia-santa-casa-de-cambe/.
(Reportagem de Rafael Carreri). 




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Protesto de funcionários da Santa Casa de Cambé









Ontem, durante toda a tarde aconteceu uma manifestação de funcionários da Santa Casa de Cambé, em frente ao Pronto Socorro do Hospital.
Os funcionários relataram que ainda não tinham recebido o salário de agosto, que deveria ter sido pago até o quinto dia útil deste mês. A direção do hospital informou os funcionários que não pagou os salários por conta de atraso de repasse do governo do Estado.
A Santa Casa de Cambé foi pauta do CAMBÉ DE FATO e deste blog por negar atendimento à gestantes durante o mês de agosto e também por práticas irregulares, como o pagamento de plantões em dobro para um determinado médico do hospital.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Santa Casa nega atendimento a gestantes por falta de médicos

Do Caderno Especial SANTA CASA DE CAMBÉ, do Jornal CAMBÉ DE FATO: 


“Não me examinaram e nem olharam para minha cara. A única coisa que fizeram foi mandar eu para casa com dor”. Esse é o relato de Débora Batista da Silva da Conceição, uma das gestantes que teve atendimento negado pela Santa Casa de Misericórdia de Cambé nos últimos quinze dias. Mãe e bebê tiveram uma gestação e um pré-natal tranquilo, até o dia do nascimento do pequeno Brian Miguel. “Foi uma correria. Chegamos a Santa Casa e nos disseram que não tinha médico e mandaram a gente para o posto 24 horas”, explica Débora. Indignado, José Cássio da Silva da Conceição, pai de Brian e marido de Débora, conta que no posto 24 horas recebeu atenção no tratamento de sua esposa grávida, porém na Santa Casa o tratamento foi bem diferente. “Dou nota zero. Fomos mal recebidos. Chegamos até lá e eles não quiseram nem olhar na nossa cara e mandaram a gente voltar para o Posto de Saúde. A minha esposa já estava sentindo as contrações para ganhar o bebê. Eles não atenderam a gente e voltamos para a Unidade Básica de Saúde 24 horas. De lá fomos encaminhados para a Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, em Londrina. A Santa Casa nos disse que não tinha obstetra para nos atender. Não consultaram minha esposa e já mandaram a gente embora”, relata José Cássio. Mãe e bebê passam bem agora, mas correram risco por conta da recusa de atendimento da Santa Casa.


R$ 1.090 para atendimento particular -  Outro caso de desamparo é o da menor Jéssica de 17 anos. “Fui até a Santa Casa e fui maltratada pelos funcionários. Estava grávida de dois meses, mas tive aborto espontâneo. O bebê ainda está retido em meu corpo. A Santa Casa disse que não ia fazer nada por mim e que era para me virar porque lá não tinha médico. Disseram que era para eu procurar atendimento em Rolândia ou em Londrina, ou simplesmente pagar R$ 1.090,00 para ser atendida pelo médico particular do hospital. Se eu tivesse esse dinheiro, amanhã mesmo seria atendida. Achei o cúmulo. Eles não podem negar atendimento”, ressalta Jéssica. “Como não estou sangrando e com dores de cabeça constante, não corro riscos. Senão, terei que ir novamente à Santa Casa para ser encaminhada para outro lugar novamente e ser tratada como um cachorro”, lamenta a menor. Jéssica foi encaminhada ao posto 24 horas, onde foi recebida pelos profissionais. “Fui muito bem atendida, fiz ultrassom e tratamentos que competem a Unidade Básica de Saúde”, diz a jovem.
Os dois casos citados retratam a difícil  vida de gestantes que precisaram do atendimento da Santa Casa de Cambé, único hospital a atender pelo SUS na cidade e referência nos casos de gravidez.  Histórias parecidas se repetiram com maior ou menor gravidade na triagem do hospital.

Secretaria de Saúde esclarece - A secretária de Saúde Alessandra Garcia Vaz lembra que a Santa Casa de Cambé não é um hospital público e não está subordinado à Prefeitura de Cambé. “A Santa Casa é um hospital filantrópico, administrado por uma instituição particular sem fins lucrativos, onde a Prefeitura não tem nenhuma participação na administração, mas repassa uma quantia mensal para que o hospital pague os plantões de médicos no Pronto Socorro”, esclarece Alessandra Vaz. A quantia (R$ 175 mil mensais), segundo Alessandra, é suficiente para a contratação de médicos para o Pronto Socorro (veja mais sobre a subvenção repassada pela Prefeitura para a Santa Casa nas páginas centrais deste caderno) e que não há justificativa para a falta de ginecologista/obstetra no plantão presencial do Pronto Socorro da Santa Casa. “Notificamos o hospital para que retorne o plantão de Ginecologia/Obstetrícia imediatamente e atenda todas as gestantes”, informa Alessandra Vaz., lembrando que o assunto também foi levado ao conhecimento da 17a. Regional de Saúde, vinculada ao Governo do Estado e ao Ministério Público local.

Outro lado - O CAMBÉ DE FATO tentou, sem sucesso, falar com o diretor clínico do hospital, Dr. Antonio da Silva Freitas. Em seu lugar, falando pelo hospital, a diretora administrativa Isabel Aparecida da Silva declarou que a falta de médicos acontece por conta dos salários e propostas de emprego que estes profissionais recebem. “Conseguimos repor os médicos que saíram. Contratamos anestesista, pois sem ele, o obstetra não faz plantão. Recebemos verbas da Prefeitura de Cambé e do Governo do Estado, que está atrasada, porém hospital é complexo. Os medicamentos são caros”, diz a diretora Isabel. Ela também afirma que as condições de atendimento à gestante do hospital estão normais: “Somente um dia a Santa Casa não atendeu as gestantes. É mais fácil nós encaminharmos do que a pessoa ir direto para Londrina”, declarou Isabel da Silva. 

Unidade Básica de Saúde 24 horas fica congestionada e faz até parto

A Unidade Básica de Saúde 24 horas. viveu momentos difíceis no último final de semana com a recusa da Santa Casa de Cambé em atender as gestantes que procuravam o hospital e, ao mesmo tempo, encaminha-las para a Unidade Básica de Saúde 24 horas. Segundo Marcelo Ascêncio, enfermeiro chefe da Unidade, o posto atendeu, de sábado, dia 11, até segunda, dia 13, quinze gestantes, do qual duas tiveram o bebê no posto de saúde. As demais foram reguladas, ou seja, transferidas para maternidades de Rolândia e Londrina. “Se uma criança nasce aqui com algum problema de saúde, pode até ir a óbito, porque aqui não tem os recursos de uma maternidade. Nosso pronto socorro é de urgência e emergência para atender crianças e adultos, mesmo assim, temos uma equipe preparada e conseguimos realizar os dois partos e amparar a vida de mãe e filho”, relata o enfermeiro.
Marcelo relatou o drama passado pela família de um bebê nascido na segunda-feira, dia 13: “A mãe chegou até a porta da Santa Casa que estava fechada com cadeado. Ela estava com a bolsa rota (estourada) com aproximadamente dez centímetros de dilatação, ou seja, quantidade máxima para o bebê nascer. Ela não foi atendida e o hospital indicou o Posto 24 horas. Nessa circunstância, a mãe poderia ter ganhado o bebê dentro do carro do marido, o que poderia até ter ocasionado a morte da criança. Graças a Deus mãe e filho passam bem”, diz Marcelo Ascêncio.

A verdade sobre a Santa Casa de Cambé

Do Caderno Especial SANTA CASA DE CAMBÉ, do Jornal CAMBÉ DE FATO:


Listamos algumas questões importantes sobre a Santa Casa de Cambé,  seu funcionamento e sua relação com a Prefeitura de Cambé e com a comunidade.



1 - A Santa Casa de Cambé não pertence à Prefeitura de Cambé 
É bom esclarecer que a Santa Casa de Cambé não pertence ou tem qualquer vínculo administrativo com a Prefeitura de Cambé. Em outras palavras, nem o prefeito e nem qualquer membro de sua equipe tem mando ou decisão sobre o que acontece dentro da Santa Casa.
A Santa Casa é uma instituição particular, de caráter filantrópico, sem fins lucrativos, que presta serviços ao SUS e recebe por estes serviços através do SUS, ou seja, através da Secretaria de Estado da Saúde, que repassa os pagamentos a prestadores de serviços do Sistema Único de Saúde e ainda recebe uma subvenção (recursos) da Prefeitura de Cambé, entre outras receitas. 
A Santa Casa de Cambé é formada por uma direção, eleita por um colegiado previamente escolhido por aqueles que fazem parte da Irmandade da Santa Casa. O superintendente é a maior autoridade do hospital, seguido da direção administrativa e da direção médica. O empresário Antonio de Alencar ocupa o cargo de superintendente desde 2004; Isabel da Silva está no cargo de diretora administrativa há mais de 20 anos e a direção clínica (médica) da Santa Casa foi ocupada até algumas semanas atrás pelo médico Armando Jairo da Silva Martins (Dr. Martins), que se licenciou do hospital para disputar o cargo de prefeito municipal. Atualmente a direção clínica está a cargo do pediatra Antonio da Silva Freitas. 

2 - Por que a Prefeitura de Cambé repassa dinheiro mensalmente para a Santa Casa? 
Ao longo dos últimos anos a Santa Casa, assim como outros hospitais filantrópicos, tem afirmado que o dinheiro do SUS não é suficiente para manter o atendimento da população. 
Por conta disso, já há muitos anos, a Prefeitura de Cambé passou a pagar uma subvenção mensal para a Santa Casa de Cambé, como forma de ajudar a complementar o custeio das despesas do Pronto Socorro do hospital. Isto, é bom que se diga, sem que a Prefeitura tenha obrigação constitucional de custear serviços hospitalares. “O repasse de subvenção mensal para a Santa Casa de Cambé tem o caráter de dar o suporte necessário para o atendimento essencial para a população de Cambé seja bem realizado”, diz a secretária de Saúde Alessandra Garcia Vaz. 

3 - No que pode ser usado o dinheiro repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa? 
O dinheiro que a Prefeitura de Cambé repassa mensalmente para a Santa Casa só pode ser usado para pagar médicos que atendam no Pronto Socorro do hospital e exames decorrentes deste atendimento. A medida, segundo a secretária de Saúde, Alessandra Vaz, é para viabilizar o atendimento de urgência e emergência do Pronto Socorro, e, ao mesmo tempo, garantir o atendimento da população de Cambé. 
O convênio firmado entre a Prefeitura de Cambé e a Santa Casa, exige que o hospital contrate pelo menos três médicos atendendo permanentemente no plantão: um clínico geral, um pediatra e um ginecologista/obstetra. 
Como os médicos plantonistas atendem períodos de seis ou doze horas, a cada dia, são necessários pelo menos seis médicos (dois de cada especialidade) atendendo em plantões de 12 horas, para o bom funcionamento do Pronto Socorro e o bom atendimento da população.

4 - Por que os repasses aumentam de valor? 
Todo aumento de valor dos repasses da Prefeitura para a Santa Casa é precedido de extensa negociação entre a direção da Santa Casa e os gestores da Secretaria Municipal de Saúde, com a participação direta da Prefeitura de Cambé. Em todos os casos, nos últimos três anos e meio, houve intensa pressão da direção da Santa Casa para que a Prefeitura aumentasse o valor da subvenção. 
Em muitos casos houve até ameaças de fechamento do plantão do hospital se a Prefeitura não aumentasse o valor do repasse. 
Por outro lado, a direção da Santa Casa historicamente tem afirmado que, se o valor fosse aumentado gradativamente, o atendimento ao público seria muito melhor, o que, de fato, não tem acontecido. 
Somente para ilustrar, a direção da Santa Casa pediu, para 2012, uma subvenção mensal de R$ 183 mil, e em troca, afirmou que teria à disposição da população os três plantões presenciais e mais oito plantões à distância. A Prefeitura está repassando R$ 175 mil mensais (R$ 8 mil a menos que o solicitado) e o atendimento não está acontecendo.

5 - Se o dinheiro do repasse é suficiente, por que a Santa Casa não contrata mais médicos para o Pronto Socorro?
Esta é uma ótima pergunta que a direção da Santa Casa não responde, ou quando se manifesta, diz que o dinheiro é repassado é insuficiente. 
Por outro lado, acompanhando as prestações de contas que a Santa Casa faz para a Prefeitura, relativas ao uso do dinheiro da subvenção, documentos estes disponibilizados para o Conselho Municipal de Saúde, é possível perceber que os plantões são feitos por poucos profissionais da área médica e, ao mesmo tempo, identificamos que um médico recebeu dobrado para fazer dois plantões simultaneamente, ou seja, ocupando o espaço de dois médicos e recebendo por dois (veja matéria na na contracapa). 
Em outras palavras, os mesmos médicos do quadro da Santa Casa se repetem nos plantões do Pronto Socorro durante todo o mês. 
Esta prática pode ter dois significados: que a Santa Casa não consegue contratar mais médicos fora do seu quadro; ou que prefere dividir o plantão somente entre seus próprios médicos, aumentando o ganho de seus profissionais. 
A direção da Santa Casa tem alegado que não consegue contratar mais médicos por que o valor pago para o plantão é baixo. Mas, em uma rápida pesquisa, constatamos que o valor pago pela Santa Casa está próxima da média paga pelos hospitais da região de Londrina. 

6 - O valor repassado pela Prefeitura é mais que suficiente para contratar mais médicos para o Pronto Socorro da Santa Casa
O dinheiro repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa é mais que suficiente para a contratação dos médicos necessários para o bom funcionamento do Pronto Socorro do hospital.
Façamos uma conta básica. Cada médico recebe R$ 700 (setecentos reais) por plantão de doze horas. Por dia, portanto, são gastos R$ 4.200 (quatro mil e duzentos reais) para pagar os seis médicos necessários para o funcionamento do Pronto Socorro. Em 30 dias, a conta vai para R$ 126 mil (cento e vinte e seis mil reais). Como a Prefeitura repassa R$ 175 mil (cento e setenta e cinco mil reais) todos os meses, a sobra de dinheiro somente do repasse da Prefeitura é de R$ 49 mil (quarenta e nove mil reais). Esta quantia que sobra, viabiliza inclusive parte dos plantões de especialidades à distância, que o hospital necessita, como cardiologista, neurologista, ortopedista, entre outros.
Outra conta que pode ser feita é dividir o valor pago pela Prefeitura (R$ 175 mil) pelo valor de um plantão de doze horas (R$ 700). O que encontraremos é 250 plantões que podem ser pagos com os mesmos R$ 175 mil. Dividindo 250 por 30 dias, chegamos a um total de 8,3 médicos por dia, ou 4 (quatro) por plantão.
Em outras palavras, se o dinheiro pago pela Prefeitura fosse todo usado para pagar plantonistas do Pronto Socorro da Santa Casa, o hospital poderia contratar 08 (oito) médicos por dia, ou quatro por plantão.
Esta simples conta derruba o argumento, já muito usado por pessoas ligadas à Santa Casa, de que o Pronto Socorro fica sem médicos por falta de dinheiro.
Isto por que a conta acima é feita somente sobre a subvenção paga pela Prefeitura de Cambé. O Pronto Socorro da Santa Casa recebe também todo o faturamento feito para o SUS, que paga para a Santa Casa todos os atendimentos realizados no Pronto Socorro. Ou seja, tudo o que acontece no Pronto Socorro também é faturado para o SUS, que paga cada atendimento de acordo com a tabela de procedimentos em vigor.

7 - Evolução do repasse da Prefeitura de Cambé para a Santa Casa: em quatro anos o total de recursos dobrou
Nos últimos três anos e meio, o valor do repasse mensal da Prefeitura para a Santa Casa subiu 75%. Se comparado ao total anual repassado em 2008, o valor projetado para ser pago em 2012 será o dobro daquele valor. Em 2008 a Santa Casa recebeu da Prefeitura de Cambé dez parcelas de R$ 100 mil, totalizando um repasse de R$ 1 milhão. Em 2012 vai receber R$ 2,084 milhões, ou seja, mais que o dobro do repasse de 2008 (veja quadro).
Desde janeiro de 2009 o valor do repasse tem aumentado substancialmente e tem sido feito em doze parcelas, todas pagas religiosamente em dia.
Em 2009 a Santa Casa recebeu R$ 1,522 milhões, ou seja, um aumento de 52% em relação a 2008. Em 2010, o valor subiu para R$ 1,688 milhões (aumento de 68% em relação a 2008). Já em 2011, o total repassado foi de R$ 1,772 milhões (aumento de 72% em relação a 2008) e em 2012 a projeção e que o total e ser repassado para a Santa Casa de Cambé é de R$ 2,084 milhões até 30 de dezembro. Até agora foram pagos R$ 1,0 milhão em quatro parcelas de R$ 155 mil; uma parcela de R$ 239 mil e uma parcela R$ 175 mil. Faltam ainda seis parcelas de R$ 175 mil mensais até o final do ano.
Só para registrar, nos primeiros seis meses de 2012 a Prefeitura de Cambé já repassou para a Santa Casa R$ 1 milhão, o mesmo total repassado durante todo o ano de 2008. Os dados são da Secretaria Municipal de Fazenda.



Acompanhe a evolução do repasse de recursos da Prefeitura para a Santa Casa de Cambé nos últimos anos.

Valor repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa nos anos de

2005: R$ 939 mil
2006: R$ 970 mil
2007: R$ 1,0 milhão


Valor repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa no ano de 
2008R$ 1,0 milhão*em 10 pagamentos de R$ 100 mil 
*Em 2008 a Prefeitura repassou mais R$ 300 mil relativos ao plano de trabalho do ano de 2007, que não haviam sido pagos.

Valor repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa no ano de 
2009: R$ 1,522 milhão em 03 pagamentos de R$ 105 mil, 07 de R$ 130 mil e 02 de R$ 146 mil* 
*Em 2009 os valores repassados foram evoluindo de R$ 105 mil nos primeiros três meses, para R$ 130 mil nos sete demais e fechando o ano com dois meses de R$ 146 mil.

Valor repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa no ano de 
2010: R$ 1,688 milhão em 04 pagamentos de R$ 130 mil e 08 de R$ 146 mil 

Valor repassado pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa no ano de 
2011: R$ 1,772 milhão em 12 pagamentos de R$ 147 mil 

Valor repassado e a ser pago pela Prefeitura de Cambé para a Santa Casa no ano de 
2012: R$ 2,084 milhões em 04 pagamentos de R$ 155 mil, 01 de R$ 239 mil e 07 de R$ 175 mil* 
*Até 30 de dezembro de 2012

Médico recebeu para fazer dois plantões no mesmo horário

Do CAMBÉ DE FATO:

O médico Armando Jairo da Silva Martins (Dr. Martins), em foto de arquivo, recebeu duas vezes para realizar o mesmo período de atendimento no Pronto Socorro da  Santa Casa de Cambé. 



A análise de algumas escalas de plantão do Pronto Socorro da Santa Casa de Cambé mostram que o médico Armando Jairo da Silva Martins (Dr. Martins) recebeu dobrado para realizar dois tipos de plantões simultâneos em pelo menos 21 dias de cinco meses de 2011, e outros 15 dias de dois meses de 2012, analisados pela reportagem do CAMBÉ DE FATO.
Primeiro, é bom esclarecer que o médico Armando Jairo da Silva Martins (Dr. Martins) faz dois tipos de plantão no Pronto Socorro da Santa Casa de Cambé: o de Clínica Geral e o de Ginecologia e Obstetrícia.
O diferencial é que Dr. Martins repetidas vezes nos últimos meses esteve respondendo pelos dois tipos de plantão ao mesmo tempo (simultaneamente) e ganhando dobrado, ou seja, dos dois tipos de plantão para atender o público em um único horário.
O fato foi percebido pela Secretaria Municipal de Saúde, que faz o acompanhamento da utilização dos recursos repassados pela Prefeitura para a manutenção do Pronto Socorro da Santa Casa. Em ofício datado de 27 de fevereiro de 2012, a secretária Alessandra Garcia Vaz notifica a diretora administrativa da Santa Casa de Cambé que Dr. Martins havia feito plantões simultâneos nos dias 07, 11, 14, 17, 18, 21, 22, 24, 25 e 28 de novembro de 2011. Ou seja, em um a cada três dias do mês, o médico fazia plantão simultâneo de Clínica Geral e Ginecologia/Obstetrícia, recebendo pelos dois ao mesmo tempo. “Esta é uma situação grave em desacordo com a orientação do Conselho Regional de Medicina, por que expõe os pacientes a possíveis situações de risco pela impossibilidade ao único médico de prestar atendimento adequado em situações emergenciais simultâneas”, diz o ofício que solicita providências urgentes por parte do hospital. 

Detalhamento - O CAMBÉ DE FATO pesquisou nos meses de abril, junho, setembro, outubro e novembro de 2011 e nos meses de março e abril de 2012.
No dia 08 de abril, Dr. Martins iniciou plantão de Clínica Médica no Pronto Socorro da Santa Casa as 7h00 e foi até às 19h00. Ao mesmo tempo, no mesmo dia, ele fez plantão de Ginecologia e Obstetrícia das 7h00 às 13h00. Ou seja, neste período, Martins recebeu plantão dobrado. O mesmo aconteceu das 7h00 do dia 27 de abril até às 19h00 do mesmo dia, onde ele fez os dois plantões ao mesmo tempo durante 12 horas.
Já em junho nos dias 10 e 27 o mesmo médico dobrou novamente o plantão e o recebimento. No dia 10 de junho de 2011, ele fez os dois plantões (G.O e Clínica Médica) das 7h00 às 19h00, ou seja por doze horas seguidas. No dia 27, dobrou plantão (G.O. e Clínica Médica) das 7h00 às 13h00.
Em setembro de 2011 a situação se repetiu com um agravante: Dr. Martins fez, no dia 12, ao mesmo tempo um plantão de 30 horas seguidas na Clínica Médica (das 7h00 do dia 12 até as 13h00 do dia 13) e, ao mesmo tempo, das 7h00 do dia 12 até as 19h00 do mesmo dia, fez plantão de Ginecologia e Obstetrícia. Ou seja, o médico fez 30 horas ininterruptas de plantão e recebeu 42 horas, isto no mesmo espaço de tempo.
Em outubro de 2011 a situação de dobra se agrava ainda mais. São quatro dias no mês com dobra de plantão e de vencimentos. Nos dias 17, 20, 24 e 31,  o médico fez os dois plantões, ao mesmo tempo entre as 7h00 e às 13h00.
Em novembro foram onze dias de plantão dobrado. No dia 07, Dr. Martins fez plantão de Ginecologia/Obstetrícia das 7h00 às 19h00 e, ao mesmo tempo,  o de Clínica Médica das 7h00 às 11h15 e das 13h00 às 20h30. No dia 11, os dois plantões aconteceram entre as 7h00 e as 13h00. No dia 14, Martins fez os dois plantões das  7h00 às 19h00. No dia 17, novamente os dois plantões das 7h00 às 13h00 e no dia seguinte, 18, novamente plantões e recebimentos dobrados das 7h00 às 19h00, ou seja, por 12 horas seguidas. No dia 21 de novembro de 2011, Dr. Martins bateu o recorde: ficou nos dois plantões (G.O. e Clínica Médica) das 7h00 até as 7h00 do dia seguinte, fato relatado pela Secretaria de Saúde em ofício à Santa Casa.
Nos dias 22, 25 e 28, Martins novamente dobrou os plantões das 7h00 às 13h00. No dia 24 de novembro, a dobra aconteceu somente entre 13h00 e 14h00.
Já nos dois meses de 2012 pesquisados pelo CAMBÉ DE FATO, Dr. Martins teve 15 dobras de plantões, isto mesmo depois de a Santa Casa ter sido notificada que deveria  impedir a ocorrência das dobras de plantão do médico.
Em março, houve dobras nos dias 01 (das 7h00 às 10h00), 08 (das 7h00 às 9h00), 09 (das 7h00 às 10h00), 16 e 29 (das 7h00 às 13h00) e 30 e 31 (das 7h00 às 10h00). Em abril, ele dobrou plantões e vencimentos nos dias 05, 06 e 10 (das 7h00 às 10h00); 12, 20, 26 e 27 (das 7h00 às 13h00) e 19 (das 7h00 às 9h30).

Pode ser maior - Importante ressaltar que a pesquisa feita pelo CAMBÉ DE FATO não foi sistêmica, pinçamos aleatoriamente apenas cinco meses de 2011, e dois de 2012, para ilustrar a prática (que já era conhecida por boa parte da cidade) de pagar dois plantões (ou duas especialidades) para um médico atender o público do SUS em um único horário.
As escalas de plantão foram conferidas com as planilhas de pagamento da Santa Casa onde está provado a duplicidade de pagamento. 
Por outro lado, caso seja feita uma pesquisa em todas as escalas de plantão dos últimos anos, certamente os números serão maiores.

Quem perde, quem ganha -  A Santa Casa de Cambé recebe subvenção da Prefeitura para pagar três médicos de plantão ao mesmo tempo (um clínico geral, um ginecogista/obstetra e um pediatra). Isto acontece para que o atendimento seja feito para todo tipo de ocorrência e também para que o tempo de espera não seja excessivamente longo. Quando um médico recebe dobrado para fazer dois plantões ao mesmo tempo (como foi o caso aqui relatado), um dos públicos (o de clínica médica ou as gestantes) vai ficar esperando, quando poderia, com o mesmo dinheiro, haver outro médico atendendo a população.
Por outro lado, quem ganha é o médico, que recebe duas vezes para realizar o mesmo período de atendimento.

       Outro lado-  A respeito da dobra de plantões do citado médico no Pronto Socorro, a diretora Administrativa da Santa Casa de Cambé, Isabel Aparecida da Silva negou que a prática ocorra. “Nesse momento isso é mentira. Quem tem que provar é quem acusa. Estamos em ordem”, disse Isabel ao CAMBÉ DE FATO.


domingo, 15 de maio de 2011

UTI da Santa Casa de Cambé já está credenciada no Ministério da Saúde

Da Assessoria

O Ministério da Saúde credenciou novos 45 leitos de UTI SUS para o Paraná. Foram beneficiados hospitais de Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco, Cascavel, Cambé e Jacarezinho.
De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, o credenciamento atende a um pedido encaminhado pela secretaria no início do ano. “Nosso objetivo é organizar a retaguarda hospitalar no Estado, principalmente para atender a demanda da rede de urgência e emergência que estamos organizando em todas as regiões do Paraná”, afirmou. Segundo o secretário, já foram encaminhados outros pedidos que estão em análise no ministério, e que provavelmente serão atendidos.
Em Curitiba, foram beneficiados o Hospital das Clínicas, com oito leitos de UTI pediátrica; Hospital Erasto Gaetner, com três leitos de UTI adulto; e Hospital da Cruz Vermelha, com dois leitos de UTI adulto. Em Ponta Grossa, a Santa Casa credencia quatro leitos de UTI neonatal. A Policlínica de Pato Branco credencia duas UTIs adulto e duas neonatal. Em Cascavel, o Hospital São Lucas credenciou mais cinco leitos de UTI adulto. A Santa Casa de Cambé passa a ter 10 leitos de UTI adulto e a Santa Casa de Jacarezinho credencia nove leitos de UTI adulto. “Com os novos credenciamentos, conseguimos diminuir a sobrecarga em algumas regiões do Estado, melhorando o acesso da população a hospitais estratégicos”, explica a superintendente de gestão em saúde da secretaria, Márcia Huçulak.