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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Palestra sobre Missão Jesuíta de San Joseph reúne especialistas em Cambé

Da Assessoria:


A descoberta da presença da Missão Jesuítica de San Joseph entre 1625 e 1631 no Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia, em Cambé, foi tema de palestra no Salão Paroquial da Igreja Matriz.
Falaram sobre o assunto César Cortez, museólogo e diretor do Museu Histórico de Cambé; Claudia Inês Parellada, arqueóloga do Museu Paranaense; e o professor Jurandir Coronado Aguilar, da Pontifícia Universidade Católica – Campus Londrina, e diretor do Arquivo Histórico Diocesano Pe. Aloysio Jacobi.
Coordenado pela Fundação Cultural e Artística de Cambé (Funcac) através do Museu Histórico, o evento teve como objetivo principal atender os professores de historia da rede municipal e estadual de ensino. 
“O objetivo foi dar subsídios para que os professores de história possam repassar conhecimentos sobre o trabalho desenvolvido pelos jesuítas no Paraná e, em especial na região de Cambé, onde recentemente foi localizada a Missão San Joseph”, reforçou a presidente da Fundação Cultural e Artística, Arísia Mendes Gonçalves.
O diretor do Museu Histórico, César Cortez, proferiu palestra sobre os detalhes da localização do Sitio Arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia em 1990, onde mais tarde foi localizada a Missão San Joseph. Para ele, a palestra foi a oportunidade para reunir autoridades no assunto. “Ter a presença da doutora Claudia Parellada e do professor Jurandir Coronado Aguilar num mesmo evento foi uma experiência maravilhosa”. 
A arqueologa responsável pela descoberta da Missão San Joseph, Claudia Parellada, iniciou sua palestra dizendo-se feliz por estar em Cambé. “Não só pelo prazer de rever amigos, mas pela postura seria que a administração tem tomado. Por isso acredito que esse projeto vai se concretizar, porque tudo esta caminhando para isso”.
Ela explicou detalhes do processo de identificação do local onde está a missão: “Temos detalhes na cerâmica que só existiram naquele momento como se fosse uma marca de datação, e que são elementos de diagnósticos. Na verdade são fragmentos que ajudam a contar a historia do Paraná, mas não sozinhos. Temos também que ter a somatória de análises de documentação histórica”.
O professor da PUC, Jurandir Coronado Aguilar, destacou o trabalho dos jesuítas na conquista do Guairá, assim denominado quando o atual território do Paraná pertencia à Espanha.
Ele trouxe informações a respeito da missão de San Joseph, basicamente referente à documentação produzida e escrita na época em que os jesuítas estavam em território do Estado.
O professor esclareceu que a Missão de San Joseph foi fundada em 1625 pelo padre Antonio Ruiz de Montoya. Em seguida padre Montoya deixou como encarregado da missão o padre Simão de Mascheta. Existiam cerca de 200 indígenas, ladeados por mais de 15 aldeias na região, que aos poucos foram atraídos para a missão.

Sobre a destruição das missões pelos bandeirantes paulistas, capitaneado por Antonio Raposo Tavares e Manoel Preto, entre outros, o professor explicou que existe um relato de uma testemunha, um padre jesuíta que vivia na Missão de San Joseph.
Segundo essa versão, a destruição aconteceu em 22 de fevereiro de 1631. Terminou assim o trabalho de conquista da região do Guairá pelos jesuítas. Em seguida, aconteceu o famoso êxodo dos 12 mil índios Guaranis para a região sul do Brasil, norte da Argentina e parte do Paraguai.
A confirmação da localização da Missão de San Joseph foi anunciada no ínício de agosto, pela arqueóloga Cláudia Parellada. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Descoberta arqueológica: ruínas da Missão Jesuíta de San Joseph estão em Cambé

Do CAMBÉ DE FATO: 

Cláudia Parellada
Cláudia e as autoridades de Cambé
 “Nesta apresentação faço a comunicação oficial da descoberta da localização da Redução Jesuítica de San Joseph. Ela está na zona rural do município de Cambé”. Foi com esta frase histórica que a arqueóloga do Museu Paranaense, Cláudia Inês Parellada abriu a parte mais importante de sua apresentação durante a 9a. Reunião de Antropologia do Mercosul - RAM, realizada na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba de 10 a 13 de julho. O anúncio da descoberta das ruínas de San Joseph contou com a presença de autoridades municipais, entre elas, o prefeito João Pavinato. “É muito importante a disposição do município em adotar medidas de preservação do sítio arqueológico para permitir futuros estudos”, declarou Cláudia Parellada. A arqueóloga virá à Cambé no início de agosto, para orientar e coordenar os trabalhos técnicos no local onde existiu a Missão San Joseph. 


Um pouco de história - Na época da colonização do Brasil, o território do atual estado do Paraná (exceto o litoral), pertencia à Espanha, graças ao tratado de Tordesilhas, e era conhecido como Província del Guairá.  “Na Província del Guairá, nos séculos 16 e 17,  houve resistência guarani à ocupação européia e o receio do aumento dos conflitos acelerou a criação, com apoio da Espanha, de quinze missões jesuíticas fixas no Guairá, entre 1610 e 1628”, diz Claudia Parellada. O conflito citado pela arqueóloga acontecia em função das Entradas e Bandeiras, feitas por paulistas dentro do território espanhol, para capturar indígenas como mão de obra escrava para as lavouras de cana-de-açúcar.  
Entre as quinze reduções, estava a Missão Jesuítica de San Joseph, que foi fundada em 1625, no local onde atualmente é a fazenda Santa Dalmácia, a 27 quilômetros do centro de Cambé. “Em 1625 os padres espanhóis Montoya e Mascetta decidiram fundar uma missão que ficasse no meio do caminho, por terra, entre as missões de Santo Ignácio e Loreto, no vale do Paranapanema, e a de San Javier, erguida junto ao rio Tibagi”, diz Claudia Parellada. “San Joseph foi criada com cerca de 200 famílias, de seis aldeias diferentes, e lá permaneceu o padre Mascetta para construir o templo e as casas e administrar os sacramentos”, cita a arqueóloga.


A Missão desaparecida - O dado que ressalta a importância da descoberta é que a localização exata da Missão de San Joseph era desconhecida. “Sabia-se que (a Missão de San Joseph) poderia estar próximo ao Rio Vermelho, nos municípios de Sertanópolis, Bela Vista do Paraíso e Ibiporã”, afirma César Cortez, diretor do Museu Histórico de Cambé. Ele também presenciou o anúncio juntamente com a  secretária de Cultura Arísia Mendes Gonçalves, com o secretário de Governo Luiz Cesar Lazari e professor e historiador José Garcia Gonzáles Neto.


Definição do local - Cláudia Parellada explicou os pontos que levaram a concluir que o sítio arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia é o local da Redução de San Joseph. “Em primeiro lugar a característica das cerâmicas encontradas no local em escavações anteriores, com decoração com influência européia, característica daquele período”, diz Cláudia, citando que a dimensão do sítio arqueológico também é outro ponto de reforço da tese. “Temos também a cartografia da região, dos séculos 17 e 18, mas a definição ocorreu devido a imagens de satélite”, diz a antropóloga, referindo-se a pesquisas feitas com imagens de satélite do local, que revelaram as fundações da antiga cidade.  


A primeira descoberta - Em 1990 o Museu Histórico foi notificado da ocorrência de indícios arqueológicos na Fazenda Santa Dalmácia, no Norte do município, perto do Córrego Palmeira e à margem direita do Rio Vermelho. A notificação foi feita por alunos da Escola Rural Municipal Fazenda Santa Dalmácia. Funcionários do Museu Histórico foram ao local e constataram a possibilidade de um sítio arqueológico de grande dimensões e muitas amostras cerâmicas. Por isso os arqueólogos Miguel Gaissler e Oldemar Blasi foram convidados a desenvolver trabalhos sistemáticos ainda em 1990, quando se concluiu que uma população indígena, da cultura tupi-guarani, esteve no local e ali teve como uma forte atividade de produção de material cerâmico.


Em 1998 o Museu de Cambé firmou convênio com a Universidade Estadual de Londrina, onde o Laboratório do Departamento de Artes, sob a responsabilidade da professora Maria Scherlowski, com a consultoria do Museu Paranaense, analisou os cerca de quatro mil fragmentos coletados na Fazenda Santa Dalmácia como parte do Projeto Cerâmica Indígena: Recuperação e Memória. Também foi desenvolvido o projeto caracterização de cerâmicas do sítio arqueológicos da tradição tupi-guarani Fazenda Santa Dalmácia, por métodos nucleares não destrutivos, coordenado pelo professor Carlos Roberto Apoloni.
Paralelamente, a arqueóloga do Museu Paranaense, Cláudia Parellada, iniciou a pesquisa de identificação do material recolhido e visitou a área do sítio arqueológico. Esse trabalhou culminou com a conclusão de que o Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Dalmácia é o local onde se existiu a Missão San Joseph.


A importância para a história- A descoberta do local da Missão é um fato importante para o mundo da arqueologia e para a história. “A descoberta pode trazer informações importantes para a compreensão da relação entre os missionários jesuítas e os indígenas e pode revelar como foi o processo de ocupação da região e qual era a dinâmica dessa ocupação”, afirma Claudia Parellada. “A descoberta reescreve a história da colonização de Cambé e do norte do Paraná”, lembra José Garcia Gonzales Neto. “É uma parte da história do Paraná que estava sepultada e está sendo revelada”, concorda Cláudia Parellada. 

Segundo os estudos, a Missão Jesuíta de San Joseph foi  totalmente destruída por bandeirantes paulistas a serviço da corôa  portuguesa, entre os anos de 1629 e 1631.